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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Resenha - Livro


 Apesar do nome e tema desse livro não parecerem, a princípio, tão atrativos ou interessantes, Introdução à Metodologia do Trabalho Científico, 10ª ed., é uma obra bastante completa, de fácil compreensão e explicativa. Lá pela metade do livro eu me perguntava porque não tinha lido antes - e o pensamento perdurou até as últimas páginas. Eu diria que é leitura obrigatória para os graduandos, especialmente os calouros que, em geral, pagam a disciplina de Metodologia do Estudo, da Pesquisa, do Trabalho Científico (ou algo do tipo) logo de cara. A 10ª edição traz um capítulo bem interessante sobre Pesquisa Bibliográfica na Internet, uma novidade nos livros que tratam desse tema.
      A primeira parte da obra versa sobre a importância da leitura, os tipos de pesquisa bibliográfica, as partes imprescindíveis do trabalho, as normas para a redação... Já a segunda parte trata de noções introdutórias à pesquisa em si, os métodos e técnicas que podem ser utilizados, como coletar dados para a pesquisa e como elaborar o relatório. A bibliografia também traz outros títulos bastante úteis para consulta. A autora Maria Margarida de Andrade escreve de maneira clara, objetiva e usa diversos exemplos para que o leitor não fique apenas imaginando como deveria redigir ou organizar alguns elementos essenciais. Como já disse, passei a considerar uma leitura obrigatória a todos os alunos de graduação. Vale muito a pena! Achei o prefácio à 1ª edição bem legal, então vou colocar um trecho aqui: "O objetivo deste livro é exatamente este: introduzir o aluno na prática da Metodologia Científica, pelo domínio das técnicas que visam facilitar o bom desempenho nos trabalhos dos cursos de graduação. Os procedimentos metodológicos aqui sugeridos foram extremamente simplificados, pois não é meu objetivo oferecer um livro de Metodologia, mas uma introdução ou uma preparação à Metodologia Científica."

Fica a dica. 

Por Priscila Xavier

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Resenha - Livro

Lançado em 2009 em comemoração aos 40 anos do JN
     Hesitei em começar a ler esse livro porque não sou muito afeiçoada à Globo nem muito ligada ao Telejornalismo (de qualquer emissora), mas como o livro era emprestado e eu precisava devolver, comecei. A primeira impressão que tive não foi das melhores. Nos primeiros capítulos, William Bonner repete exaustivamente qual o "verdadeiro" objetivo do Jornal Nacional: "mostrar o que de mais importante aconteceu num dia, no Brasil e no mundo", o que já me deixou sem vontade alguma de continuar a leitura, mas prossegui.
      Os capítulos são bem divididos, curtos e bastante explicativos. Em algumas passagens, julguei um certo desprezo com relação ao (tele)jornalismo desenvolvido em outras emissoras, bem como um ar de superioridade por parte do autor - além do já esperado "puxa-saquismo" para o lado da Globo. Bonner tentou utilizar uma linguagem menos rebuscada e de difícil entendimento, para que o leitor - independente de ser estudante de comunicação ou mero telespectador do JN - não tivesse dificuldade em entender como é produzido o "telejornal de maior audiência no país", além de usar o humor em algumas passagens do livro.
      Pessoalmente, gostei de ler sobre como são feitas as edições atípicas do Jornal Nacional, os desafios de reportagem e também sobre a primeira entrevista do ex-presidente Lula depois da reeleição. Em determinados capítulos, Bonner "confessa" alguns erros cometidos por ele enquanto editor-chefe do JN - querendo mostrar humildade e, claro, enaltecer a equipe da Globo. Bom, para os que têm interesse em telejornalismo ou simplesmente gostam do JN, é um livro bastante explicativo e que vale a pena ser lido.

Por Priscila Xavier

terça-feira, 26 de julho de 2011

Pra você assistir: "Recife Frio"


     "Recife Frio" é um curta de ficção científica produzido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho. Desde seu lançamento em 2009, o filme conquistou vários prêmios nos mais diversos festivais de cinema pelo Brasil e mundo afora. Alguns  são: Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Prêmio da Crítica, Prêmio do Público, Prêmio Aquisição Canal Brasil, Melhor Momento do Festival - Prêmio do Jornal Correio Braziliense e Prêmio Vagalume (Festival de Brasília, 2009), Melhor filme (Festival de Tiradentes, 2010 e Festival Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira em Portugal).
     É um curta delicioso de se assistir. Kleber conseguiu unir ficção científica, humor e uma boa dose de cultura nesse filme. Se puder, assista e comente aqui o que achou. Pra fechar esse post, ninguém melhor que o próprio diretor para falar de sua obra. Abaixo você pode conferir uma entrevista concedida ao Futura Recife no CINE-PE em 2010.



     Gostou? É possível assistir "Recife Frio" logo abaixo. Espero que goste! Não esquece de compartilhar sua  opinião com a gente. ;)





Por Priscila Xavier

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Resenha - Livro


     "O que é Indústria Cultural", de Teixeira Coelho, é um livro bem esclarecedor e intrigante, pois levanta questões e traz dados importantes sobre a comunicação no Brasil. Apesar de ter sido escrita originalmente em 1980 e atualizada nove anos depois, essa obra não se perdeu no tempo. O autor escreve de maneira clara, objetiva, tentando ao máximo se fazer entender pelo leitor. Uma pessoa leiga, que jamais ouviu falar no termo Indústria Cultural, após ler esse livro, sem dúvida sairá com uma ideia formulada e - até arriscaria acrescentar - crítica, pois além de jogar os conceitos e explicá-los, Teixeira Coelho insere exemplos da realidade brasileira de sua época - que, diga-se de passagem, não mudou muito.
     Esse livro traz um tema que realmente vale a pena refletir. O autor inicia com um panorama histórico, passa pelos diferentes conceitos de Cultura, suas funções na sociedade, cita autores importantes no campo da Comunicação - entre eles Roland Barthes e Umberto Eco -, traz dados estatísticos sobre os veículos de massa no Brasil e finaliza mostrando sua perspectiva diante da Indústria Cultural. Em algumas passagens, pode-se achar que o autor está sendo um pouco radical ou mesmo "ultrapassado", mas de qualquer forma, "O que é Indústria Cultural" é um livro que vale a pena ser lido, refletido e debatido. Boa leitura!

Já leu essa obra? Dá sua opinião, compartilha com a gente!

Por Priscila Xavier

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Resenha - Livro


     "Gêneros Radiofônicos - os formatos e os programas em áudio", escrito por André Barbosa Filho é um livro que, pela introdução, parece trazer uma escrita pouco usual e abordar os assuntos de maneira muito "científica"; impressão essa logo desfeita. 
       O autor define sua obra como um "livro-escuta", pois espera que os leitores "viajem" como se estivessem na escuta de um programa. Dando início à leitura, André Barbosa Filho passa pelas Teorias da Comunicação, conta um pouco sobre a história do rádio no Brasil, defende inúmeras razões pelas quais esse veículo tornou-se um sucesso - de seu surgimento até hoje - e, por fim, trata dos gêneros radiofônicos, mas sem a intenção de restringir a partir dos conceitos; e sim mostrar a dinâmica contida em cada um deles.
      Além disso, o autor cita outras obras e autores muito interessantes para quem curte rádio, jornalismo e comunicação em geral, trazendo uma referência bibliográfica riquíssima. Mais um livro recomendado e bastante agradável para estudantes de comunicação.

Por Priscila Xavier

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Resenha - Livro


     No prefácio escrito por Laurindo Lalo Leal Filho, há um parágrafo que define bem esse livro: "Ele é um manual de Radiojornalismo, capaz de responder a muitas das indagações práticas daqueles que que já fazem rádio e se defrontam com surpresa no seu dia-a-dia profissional, e é igualmente um guia seguro para quem pretende se aventurar por esse fascinante caminho."
     Mesmo que os exemplos sejam direcionados a radiojornalistas britânicos, não quer dizer que os brasileiros não possam usufruir das informações trazidas no manual. Usando uma linguagem simples, clara e bem humorada, os autores (Paul Chantler e Sim Harris) conseguem montar um livro excelente, que pode ser utilizado tanto por quem está "chegando agora" quanto por quem já tem anos de experiência. São discutidos tópicos como: técnicas de redação, como buscar emprego no rádio, as leis que vigoram nesse veículo, além de trazer um capítulo dedicado a defender o futuro do radiojornalismo e um glossário de grande utilidade para os radiojornalistas. Mais uma leitura indispensável para quem ama esse meio comunicacional.

Por Priscila Xavier

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Pra você assistir: "Janela da Alma"



         Janela da Alma, como os criadores João Jardim e Walter Carvalho o definem, é um filme sobre o olhar. O trailer acima nos dá uma ideia maravilhosa do documentário a ser visto. Trazendo personagens de países diferentes, idades e épocas distintas, Janela da Alma - premiadíssimo em vários festivais de cinema - nos presenteia com histórias fascinantes: um fotógrafo francês cego, capaz de apreender imagens belíssimas mesmo sem enxergar como a maioria das pessoas; José Saramago, renomado escritor português; cineastas como Wim Wenders, Marjut Rimminen e alguns brasileiros, dentre artistas e pessoas comuns. Todos têm em comum o fato de enxergarem a maneira de olhar de modo bastante peculiar e esquecido pela maioria de nós. É um documentário imperdível, pois os vários depoimentos tratam das imagens que o mundo atual nos oferece, a importância da imaginação, poder da mídia, enfim, temas importantes para que cada um reflita profundamente sobre seu modo de ser, agir e olhar para si mesmo e para o outro.

Disponível para download aqui, mas se quiser acompanhar os extras, que também são espetaculares, procure na locadora mais próxima a você ;)


Por Priscila Xavier

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Resenha - Livro


      Pela apresentação do livro, pode-se esperar uma leitura, no mínimo, interessante. Porém, no decorrer das páginas, esse manual mostra-se extremamente óbvio e enfadonho, apesar de ter sido escrito por dois grandes especialistas em rádio: Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima. Para os profissionais que estão inseridos no mercado radiofônico, este livro é totalmente dispensável, pois não traz novidade alguma; já para os estudantes interessados em ingressar no radiojornalismo, pode ter alguma utilidade. Explica conceitos como 'rádio all-news', 'gillete press', ombudsman e traz boas considerações sobre a ética no jornalismo.

Por Priscila Xavier


P.S. Você já leu esse Manual? Compartilha sua opinião com a gente, é só comentar aqui embaixo! :)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Pra você assistir: "A Montanha dos Sete Abutres"


       Dirigido, produzido e roteirizado por Billy Wilder, o filme foi lançado em 1951 nos EUA, sob o título "Ace in the Hole". Sessenta anos depois, a película continua atual, pois a história relatada em “A montanha dos sete abutres” é bastante reflexiva, por tratar de questões essenciais para o jornalismo: a maneira de produzir a notícia, como lidar com a repercussão, manipulação e o sensacionalismo envolvidos no processo. Inspirado pela tragédia real de Floyd Collins -um mineiro morto de forma semelhante à do protagonista Leo Minosa e que teve seu acidente amplamente divulgado na mídia -, Billy Wilder produziu uma obra prima. 
       No início do filme o jornalista Mr. Tatum sai em busca de um novo emprego e chega até Albuquerque, onde se depara com Mr. Boot, jornalista e editor ético, sempre preocupado em dizer a verdade, passar a notícia da forma como realmente ocorreu. Após um ano sem conseguir um furo, Tatum segue com um outro jornalista (Herbie) para cobrir um evento considerado desinteressante para ele. No caminho, porém, acaba descobrindo uma tragédia que lhe renderia o reconhecimento que buscava. A partir daí, o jornalista manipula as informações, escreve artigos sensacionalistas e consegue transformar o sofrimento de Leo Minosa em atração para a sociedade, minando as chances de resgate do “amigo” e controlando toda a situação por ser conveniente para si. Ao longo do filme, é possível perceber como Tatum não se importava em manipular a história e os grupos de poder (como o xerife), para manter o sucesso e poder que alcançara. Em menos de uma semana, a tragédia de Leo Minosa vira atração turística: um circo foi montado, famílias inteiras acampavam no local, artefatos indígenas eram comercializados pela esposa, enquanto os pais de Minosa pareciam ser os únicos em meio à multidão que realmente se preocupavam com a saúde e a vida do filho.
      Um ponto interessante que merece ser ressaltado são os meios utilizados na comunicação e construção das notícias: a fotografia, o teletipo, o rádio e a televisão estavam presentes a todo momento. É importante destacar como esses meios eram eficazes na produção e transmissão dos fatos, oferecendo mais agilidade aos jornalistas, repórteres e levando a notícia de um modo cada vez mais veloz aos leitores/ouvintes. Outra observação cabível nesse cenário é a relação entre mídia, poder e sociedade. Mr. Tatum não tinha ética profissional e não media esforços para ir em busca de um furo ou gerar notícias falsas apenas por sua aspiração ao poder. No decorrer da história, quando Minosa está implorando que levem o padre até ele, pois sente que não há mais salvação e vai morrer naquela caverna, o jornalista parece se compadecer e se arrepender de toda manipulação e coação pela qual foi responsável. Após dias ‘tentando’ salvar Leo Minosa através de uma escavadora, ele decide parar e resgatá-lo da maneira mais simples e segura, porém essa decisão foi tomada muito tarde e o homem falece antes de ser resgatado. Visivelmente abalado (e ferido após um desentendimento com a sra. Minosa), o jornalista tenta dizer a verdade a um editor de Nova York, alegando que Minosa não morreu, fora assassinado. Como não tinha prestígio entre outros jornalistas, Tatum não foi ouvido nesse momento. A partir da morte de Minosa, sua carreira e vida findam. 
      Afinal, até que ponto um jornalista deve ir em busca da notícia? O que é mais importante, passar a informação verdadeira ou lucrar com o sensacionalismo? “A Montanha dos sete abutres” traz reflexões deveras essenciais para os profissionais da comunicação, sendo indispensável para esse público.

Disponível para download aqui.

Por Priscila Xavier

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Resenha - Livro



Em "O que é Dialética", Leandro Konder consegue - em poucas páginas - construir uma obra realmente significativa e abrangente. O autor inicia o livro falando da origem da Dialética e traz nomes conhecidos na filosofia: Aristóteles, Diderot, Rousseau. Passado esse primeiro capítulo, Konder faz um paralelo entre a Dialética e o trabalho, a alienação e traz conceitos fundamentais, como: o que é totalidade, as leis dialéticas, contradição e mediação, a fluidificação dos conceitos, entre outros. Os dois últimos capítulos abordam a importância da Dialética para o indivíduo e a sociedade, trazendo questões bastante reflexivas. Konder recorre a dois filósofos para finalizar sua concepção: "A Dialética - observa o filósofo brasileiro Gerd Bornheim - é 'fundamentalmente conservadora' (...) É , como disse o argentino Carlos Astrada, 'semente de dragões'. Os dragões semeados pela Dialética vão assustar muita gente pelo mundo afora, talvez causem tumulto, mas não são baderneiros inconsequentes; a presença deles na consciência das pessoas é necessária para que não seja esquecida a essência do pensamento dialético".
Uma leitura que vale a pena para todos que têm interesse na dialética - antigamente tida apenas com a arte do diálogo -, hoje concebida como um intrigante processo para entender o que está em movimento no mundo.

Disponível para download aqui.

Por Priscila Xavier

terça-feira, 12 de abril de 2011

Resenha - Livro

Leitura recomendada a todos que estudam Fotografia

Em seu último livro, Roland Barthes se propôs a ser um "mediador" da Fotografia, formulando traços fundamentais a partir de "movimentos pessoais", o que resultou em um livro ora subjetivo (pois traz sua visão sobre determinados pontos), ora objetivo (pois oferece nomenclaturas técnicas).

No início da obra, Barthes descreve seu espanto diante das primeiras fotografias e, ao longo do livro, divide com o leitor imagens que julgou belas, intrigantes, mágicas. Em determinado capítulo, classifica a Fotografia em empírica, retórica ou estética, porém afirma que "essa classificação é sem relação com a sua essência". Traz ainda as denominações: Operator (para o fotógrafo), Spectator (para quem vê a foto) e Spectrum (para quem é fotografado). Para ele, a Fotografia consistia em um entrecruzamento de dois processos: um químico e outro físico e cada imagem trazia em si um "Studium" (intenção geral da foto) e um "Punctum" (detalhe que atrai, choca). 

Apesar de levantar aspectos e classificações técnicas, Barthes escreveu um livro essencialmente pessoal, pois: "Eu só me interessava pela Fotografia por 'sentimento'; eu queria aprofundá-la, não como uma questão (um tema), mas como uma ferida: vejo, sinto, portanto noto, olho e penso".

Por Priscila Xavier


P.S. Você aí, já leu esse livro? O que achou? Compartilha com a gente!

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